30 março 2008
"Idéibelos"
Descem em tufos e mais tufos, penso que,
Passei muito shampoo.
Tentei amacia-lás, deixarem bonitas e coloca-lás em apenas uma direção,
Processo errado.
Elas agora descem pelo ralo.
Devo colocar idéias sintéticas?
Aquela que compramos na loja,
É apenas coloca-lás na cabeça e pronto,
Tão bonitas quanto as anteriores.
Mas ao conhecer alguém de perto,
Descobrirá que são sintéticas,
Que são apenas uma farsa.
Minhas idéias descem pelo ralo.
28 março 2008
27 março 2008
Diário do Andarilho
Foi o que aconteceu e por isso aquele cigano chegou ali. Com minha falta de humildade, batalhei com o demônio. O demônio que em seus olhos refletia eu mesmo. Não quero entrar em detalhes, agora, contarei neste diário mais a frente, quando conseguir voltar ao meu caminho. Isso, voltar, pois, me perdi no momento em que achei que poderia descobrir tudo e acreditar no que eu achava que era correto para mim. O mundo em volta, se torna disperso e a realidade confusa no momento em que achamos que só a nossa verdade existe. Precisei me reestruturar novamente. Agora, concordo o que muita gente falou pelas estradas por onde passei. A verdade dói. No entanto, depois disso tudo, eu estava feliz.
Eu estava feliz, pois me sentia novo, como foi quando comecei a minha caminhada. Quando comecei a sonhar nos paraísos que iria conhecer, nas pessoas e nos estranhos animais. E vou conhecer mesmo, porque agora irei vê-los com outros olhos. Então tudo novamente se tornou novo e minha humildade voltou. Bendito seja o cigano. Há muito tempo atrás me lembro de quando escrevi neste mesmo diário em que a noite tinha escurecido e estava certo no caminho em que estava levando. E agora nada sei, nem por onde seguir, só sei que devo recomeçar. Terei que lidar com os mesmo problemas diários, porém, com outros olhos.
Comecei a reaver as coisas de minha mochila, joguei alguns livros fora, não seriam mais do meu interesse, por isso, fiz uma doação a uma biblioteca da cidade local. Partiria amanhã, sem demônio, sem saber pra onde ir, sem muito planejamento. Estou deixando sair naturalmente. Fluir, como flui o sangue no meu corpo. Estou ansioso para reaver minha caminhada.
Estou ansioso por viver.
26 março 2008
Quãem?
Realmente sou o que quero?
Ou fui criado pelos homens da lei?
Quem eu sou?
Eu gosto de viajar?
Ou foi para aumentar o consumo e o turismo?
Eu gosto de futebol, ou é a valorização do nacionalismo brasileiro?
Prefiro não ser nacionalista,
Em épocas de copa do mundo.
Prefiro ser idealista,
Procurando uma justificativa pra tudo.
Mas algumas coisas,
Nunca irão se justificar,
Se eu gosto de viajar,
Ou jogar, torcer para a seleção,
Tudo tende a se identificar,
No meio em que estamos.
Quem sabe, não saberei quem sou eu,
Mas pelo menos,
Encontrarei a paz no meu coração.
A paz que todos nós, enfim procuramos,
Que não importa identidade, raça, cor, idade,
Classe social, escolaridade, conta bancária,
De hippies a acionistas,
Alguns encontram o que queria.
Outros morrem a procura dessa sensação.
Talvez não merecessem,
Não tiveram humildade.
Talvez alguns conseguiram e também não merecessem,
Tiveram a sorte de encontrar alguém que ensinasse para eles.
Alguns mereciam,
Mas encontram gente para empata-lós.
Alguns mereciam conseguir,
Não tiveram ninguém para ajudar,
Não tiveram ninguém para apoiar,
Foi na luta firme,
Nos erros e na confiança sublime.
Na confiança em acreditar no que queria buscar.
Você acredita no que você quer?
Ou...
Acredita no que eles querem?
15 março 2008
Rumo
O ladrilhar na direção central das duas vias,
Não faz você apreciar nenhum dos dois caminhos.
Mudo, caminhante, aprecia apenas o obscuro,
Pois o central não chega a local nenhum.
Sente-se incerto no que faz,
Procura apenas um motivo para justificar,
Mas não há, não têm fato para provar.
Mesmo assim continuamos a decidir,
Coisas sem nenhum senso.
Procuro uma inspiração.
Uma inspiração para que eu tenha coragem,
Coragem de querer mudar o mundo,
Para não ser mais um moribundo.
Procuro um sinal, que me faça seguir meu rumo,
Com vontade de fazer mudanças.
Mas no que deve-se crer,
Frio, desconfiado é o meu ser,
Pretendo transformar isso em algo forçado.
Vamos procurar um caminho.
Um caminho que dê um rumo,
Seguir uma direção e ser firme.
14 março 2008
Tá no fim
Em um mundo em que nada o que você faz,
Vai trazer,
A volta da paz,
Como tudo pode acabar,
Se só pensam em ganhar,
Nunca pensam em doar,
Todos só olham pro seu próprio lar.
Como as pessoas julgam alguém em vão,
Se não conseguem decifrar nem o próprio coração,
Como vão enxergar,
Se nesse peito as pessoas só tem ambição,
Fazem tudo por dinheiro,
Se vacilar é traição,
Julgar alguém alheio,
É mostrar que não conhece a si mesmo.
Se você sabe que o mundo tá assim,
Porque procura mudar algo que já tá no fim,
Tudo destruído, nada protegido,
O planeta virou saco de lixo.
Jesus até que fez um esforço,
Mas logo foi morto,
Então pra que você quer entrar no meio?
Coisa que nenhum ladrão tem medo,
Manda você lá pra onde Jesus deve estar,
As palavras falsas das pessoas,
Que só querem suas intenções boas,
Roubam o seu dinheiro e se saem em uma boa,
Cadê o policial?
Procura só ladrão que rouba pão,
Mas não vai atrás de gente que rouba o povão,
Olha pra isso, a policial federal prendeu mais um pirata,
Falsificavam os CDS de alguma banda popularizada,
Agora cadê a prisão dos políticos,
Que roubam dinheiro dos impostos,
Pagos por nossos esforços.
Entretanto só fazem por debaixo do pano,
São sem-vergonha, são descarados,
Não ligam pra o resultado dos seus estragos,
Se já está entupidos de pessoas assim,
Para que quer mudar o mundo,
Se ele já está no fim?
07 março 2008
Que problema tem isso?
São crianças morrendo no Sudão
Mas o que você tem com isso?
Acha que não tem o que falar,
Que não há o que comentar,
Aí não tem nada para se mudar.
Mas, é problema deles,
Morrer de fome e sede,
Sem pai, sem mãe, sem lei,
Contaminado pela água que lá do ralo,
São moribundos e nada eles tem a fazer,
Ficam ali esperando,
Vendo o amigo morrer,
Nada esperam do futuro,
São mendigos corroídos,
Num caminho sem rumo.
Enquanto nós olhamos,
Nem nos emocionamos,
Deixando os salafrários,
Explorar os maltratados.
Senhores, senhores
A falta de vergonha nos governadores.
Quem sabe um dia vai vim alguém,
Alguém que queira o bem,
Palavras idealizadas,
Por senhores conhecedores,
Das vontades de um povo carente.
Consciente, poucos agem,
Experientes, pouco fazem,
Todos esperam o biscoito molhado,
Para continuarem calados.
Trabalhador, empregado e peão,
Tentam ser honesto num mundo de corrupção,
Ainda são motivos de piada,
São discriminados e usados como saco de pancada.
Até onde vai dar,
Ter que aguentar,
Esses senhores continuarem nos usar,
Como fantoches utilizados pra brincar.
06 março 2008
A Batalha
caminha à batalha,
a batalha do coração.
onde estratégias são formadas,
para destruir as outras brigadas,
para detonar nas batalhas,
esconder o verdadeiro objetivo,
e deixar que apenas saiba,
o próprio coração,
o segredo da emoção.
26 fevereiro 2008
"Apologize"
depurar ninguém,
nada disso importa,
olha em volta,
sua vida está uma droga,
peça desculpas,
entre em uma nova rota.
25 fevereiro 2008
Mudança
vamos criar pensamentos não seus para que sejamos por um dia os outros.
vamos desistir de vontades nossas, para satisfazer as vontades dos outros.
vamos lá,
tentar mudar.
qual é a verdadeira verdade na realidade?
se cada um vê de um jeito,
um jeito de olhar,
de observar,
e criar a verdadeira e a verdade da maneira que você gostaria de lidar.
18 fevereiro 2008
Sinuoso caminho
Nada faz por si só,
Tudo é uma coisa só,
Desiluda agora,
Vida tende a caminhar,
Pense no amor em outra hora,
Vá pra casa,
Lá é seu lar,
Não esqueça de lutar,
Pelo que quer conquistar,
Palavras soam com sabedoria,
Mas a verdadeira e sábia,
É agir como deveria.
E nada tende a agir,
Tudo que fazemos é esperar...
Esperar o tempo ruir,
O amor sumir,
E você cair,
Então,
Vamos aos atos!
10 fevereiro 2008
Diário do Andarilho
Até agora. Lá, eu, sentado nestes lindos campos que nunca tinha passado, senti a presença do que já tinha esquecido na primeira semana que tinha se passado por mim. Mostra como nós seres humanos somos adaptáveis e passageiros,receptíveis a mudanças. Não esperava que algo acontece logo neste instante, tornei aquele momento como algo do passado e que nada seria modificado e nem que ocorreria mais além do que já tinha acontecido. Procurei com meus olhos sem mover minha cabeça, tentando desfarçar meu nervosismo diante da situação intrigante. Não vi nada.
Passei quase uma hora com essa sensação e sem mover um membro do meu corpo. Eu tinha certeza de que ele estava me espiando, afinal, por uma hora ele já teria feito alguma coisa comigo. O sol começou a tocar na planície e mostrar o dourado da natureza e o brilhar das tulipas brancas. Por um momento me distanciei da situação e fiquei observando essa beleza natural. O sol parecia acariciar a terra que continuava dançante, pela brisa que soprava eternamente entre as folhas e flores. Um galho se quebra atrás de mim para a esquerda. Vacilei. Ouvi os passos chegando até mim e um barulho leve e continuo de uma lâmina cortando as flores.
Não tinha mais jeito. Me virei bruscamente. Estava completamente nu de armamento e ele poderia me matar a qualquer momento. Era aquele cigano o qual me encontrei a meses atrás, com cabelos grisalhos e barba mal feita, o que conseguiu me trazer medo na minha era de novas descobertas em terrenos desconhecidos que agora pra mim já eram como quintais de minha casa. Sabia onde ficava a caça, onde é o melhor lugar pra assar, os rios, quais são gelados, os ursos, onde eles moram e quais suas cavernas, cidades, vilarejos, famílias que moravam neste continente. E agora, acustumado a ele, perdi o senso do perigo sentindo-me seguro e acabo de ser pego de surpresa por este cigano. Aquele das orelhas furadas com várias argolas diferentes. Aquele que tinha um olhar negro e vazio quando concentramos nossa visão dentro dele. Era o demônio.
E o demônio estava na minha frente, segurando uma espada e espantosamente fazendo uma feição que eu achava ser desconhecida na vida desses seres maléficos. Ele segurava a lâmina abaixada na sua mão direta e olhava para mim diretamente e sorria. Sim, o demônio sorria em direção a mim, mostrando seus dentes amarelos, mas todos firmes em sua mandíbula.
- Olá andarilho - disse ele. Sorrindo.
Saudade
querida saudade,
vamos embora,
e por maldade,
nos trás aquela saudade,
do aperto de um abraço,
de um beijo molhado,
uma carícia amiga,
Saudade! nos faz pensar,
no que passamos de verdade,
no que tivemos na realidade,
Descobrimos o valor,
e o verdadeiro sentido da coisa.
18 janeiro 2008
Palavras para o Ano Novo
de uma vida a tardar,
sem poder ser alguém
que queria levantar
a cabeça e dizer
que o mundo é páreo a você.
Olhe que brechas entramos
dando voltas no mesmo paramêtro
sem evoluir
pretendendo fingir
no que não deu,
que não aprendeu.
Desta vez,
não será como antes,
nada será comparado,
nem sua mente continuará antiquada,
mudanças ocorrerão,
neste novo verão.
25 dezembro 2007
empty
numa estrada de moribundos,
que poucos tem a dizer,
pois estão num vazio,
o vazio por dentro,
me deixa infeliz,
meu coração está ao relento,
minha vida sem inspirações,
pois as tardes se tornaram,
tardes sem vento.
e na estrada também sem vento
ofega por emoções
sequer tem oxigênio
pra viver por inspirações.
15 dezembro 2007
Profundas
influências por dentro e fora do plano espiritual,
entram na sua consciência procurando alimentar-se
dos mais gostos sentimentos o amor e a amizade,
o grito do amigo do peito ecooam na escuridão,
procurando a luz que seria um dia sua salvação,
se apaga por completo,
tudo se fecha,
a máquina desliga,
não se encherga nenhuma ferida,
nenhuma lágrima,
nada aberto,
faces fervorosas aparecem para castigar o amigo,
ele grita mas não é atendido,
seu desespero é culpa do seu próprio pedido,
de ser algo bom e destemido.
não tem para onde correr,
sim esse amigo vai morrer,
e você nunca mais irá ter,
o seu amigo, o coração.
13 dezembro 2007
Palavras
As palavras ecoam. Elas batem em seu cérebro batendo-se junto com seus argumentos efusivos para justificar algo. Qualquer que seja a pessoa, dita as palavras certas afligem, atingem, magoam, machucam, ou quaisquer das palavras propriamente já ditas igualadas ao sofrer. Elas são fortes, mais fortes do qualquer outra arma. A palavra.
A vida propaga-se sem que você perceba e quando a vê de outra maneira já tem 20, 30 anos. Já trabalha, ou faz faculdade, já tem responsabilidades. As palavras, elas não se transmutam. Sua ideologia sempre será igual para sempre: comunicação. Elas trazem o prazer da expressão. Nas palavras você pode incluir qualquer tipo de expressão: espiritual, corporal, mental. Qualquer descrição com o único atributo da escrita pode ser feita. A qualidade dela é medida pela qualidade do autor de escrever, sendo atribuída também a quem ele está focalizando para que leia. Palavras soltas podem significar muito para certas pessoas e para você não fazem o menor sentido. Mas um escritor nunca escreve para si.
As vezes escreve para a vida, mas se escreve é para que alguém, alguma vez na vida, leia. Talvez ele próprio, mas quando ler, não será mais ele e sim alguém mais amadurecido e desenvolvido. As palavras farão sentido a ele mas será refletida ao conjunto de fatores da época. É como estudar literatura. É fazer um diário e ver o que você escrevia quando tinha 11 anos e quando tinha 19. O conjunto dos fatores, se você era apaixonado ou depressivo, a moda e o que era popular da época.
Podem atingir de maneira igualável qualquer imaginação. É a única forma do irreal existir, que é no texto. Você não pode criar o irreal na sua vida, apesar de que hoje em dia existe a televisão para alimentar sua imaginação. Mas para você mesmo, como você faria um filme sobre seus sonhos, seu mundo irreal? Apenas escrevendo, além de imaginar. A palavra de escrever de falar. É a palavra que faz isto tudo.
Por isso, aprenda a escrever.
29 novembro 2007
Fotografia
não sei de onde vinha,
meus olhos encontram com ela,
e se fixam,
não consigo removê-los
da beleza sobrenatural,
do corpo sensual,
não canso de observar seus cabelos,
uma imensidão azul por detrás na paisagem,
para enfeitar esta imagem,
resplandescente,
que trás inspiração,
que aspira emoção,
o toque feminino de ajeitar as mãos,
partir de já,
essa imagem se grava na minha mente,
não faz eu parar de pensar,
quando serei eu que irei fotografar,
esta imagem de uma beleza,
totalmente apaixonante e perfeita.
história de onde vinha
lindo e infinito, pentrando e jorrando prazer e paz em meu coração,
o mundo desaba de agonia,
sentimentos confusos misturam em hegemonia,
o meu interior se alivia por tantos meses,
escondido e por tentar tantas vezes,
para entrar em harmonia,
e se livrar dessa agonia.
sua vida sublime,
nem lembra do meu amor,
que sempre aguentou firme,
esperando o dia de louvor,
sua risada simples e macia,
combinava com as batidas que fazia meu coração
seus cabelos negros lisos,
escorregavam pelos meus dedos finos,
seu perfurme, seu cheiro,
eram perfumes de rosas vermelhas sorrindo,
a certeza de que alguma dia,
você ainda apareça,
e peça o meu abraço, brincar como antes fazia,
olhar nos meus olhos e mostrar afeto e nem uma peça,
nem uma encenação,
nem uma confusão,
a sinceridade e honestidade alcancem seu valor máximo,
façam o momento único e o menos rápido,
o mais longo,
que seus segundos se tornem horas, e que meu ato,
demorem anos para serem concluidos,
e demore de eu levar o tombo,
pois a dias conto pela sua imagem,
ver voce novamente na minha vida,
lhe beijar novamente sem ser uma miragem,
ter você nos meus braços como naquele dia, garotinha.
02 novembro 2007
Diário do Andarilho
"Eu descobri o segredo da felicidade!"
"E qual é?" perguntei.
"É saber que ela existe."
Achei uma resposta muito interessante.
31 outubro 2007
Diário do Andarilho
"Um homem, caminhava com seu cavalo e seu cão numa tempestade forte, quando de repente um raio o atingiu. O homem, não percebeu que já estava morto e continuara sua caminha até chegar em uma montanha.
O homem começa a subir a montanha e sente muita sede. Logo no pé da montanha encontra um portão com um guarda em frente e dentro dele uma fonte de água limpa saindo da boca de um anjo de pedra.
- Boa tarde, onde estou?- fala o homem.
- Você está no Céu. - diz o guarda.
-Eu gostaria de beber um pouco da sua água para matar minha sede. - pergunta o simples homem.
- Pode beber o quanto quiser, mas é proibido a entrada de animais. - acrescenta o guardião da porta.
- Ah, não, então me desculpe, mas não matarei minha sede sem matar a de meus animais também. - respondeu firmemente e continou a subir a montanha morto de sede.
Ele então chegou em uma fazenda. Tinha uma vaca e um boi, uma pequena plantação de trigo e um riacho de água cristalina. Não parecia ter ninguém guardando o local, além do homem que parecia tirar um cochilo na sombra da árvore ao lado.
- Boa tarde, gostaria de beber um pouco de sua água. - pede o homem.
- Pode beber quanto quiser, a água naquele riacho é limpa. - responde o fazendeiro.
- Muito obrigado! Onde estou? - pergunta o homem.
- Você está no Céu.
- Mas que blasfemia! - responde indignado ao homem. - Lá embaixo disseram a mesma coisa, o senhor deveria reclamar com eles por copiarem a identidade do local!
- Nem devo. Pois são nessas horas que descobrimos quem são os verdadeiros amigos, se nos deixam no sufoco ou não, como você não deixou os seus melhores amigos no sufoco. Os seus animais.
Uma linda história. Agradeci ao pão recebido e parti para meu Destino.
Diário do Andarilho
Saberia que teria que passar por ele e não adiantaria sacar minha espada. Os demônios podem e não podem nos destruir a qualquer momento. Outro dia ouvi certa história assim:
"Quando o Mal se aproxima de você, sente-se ouça-o, pergunte, peça para repetir toda a história novamente e pergunte outras coisas e faça-o falar bastante, pois, quando você se levantar para ir embora sem dar nenhuma palavra, o Mal não terá forças de se levantar para lhe acompanhar depois de tanto ter falado."
Assim me aproximei. Ao entrar na sombra da árvore, eu o vi. Era um cigano, com várias argolas, de calça roxa e uma camiseta esfarrapada cinza. Ele estava procurando alguma coisa na sua mochila de couro marrom de botões dourados.
- Precisa de ajuda? - perguntei serenamente, como se já denunciasse a sua vinda até mim.
Mas o demônio apenas levantou sua cabeça lentamente, quase irritantemente e olhou para mim. Começou a me encarar. E eu rebati na mesma força. O homem tinha um barba mal feita e seus cabelos negros e meios grisalhos batiam em sua orelha, que estava entupida de brincos e argolas. Seu olhos eram negros e me encaravam abruptamente sem nem um piscar. Seu olhos lembravam um buraco negro no Universo.
Mas nada aconteceu. O homem apenas resmungou algumas palavras e sumiu de vista. Me acalmei com a situação e olhei para minha espada. Fiquei-a observando por um tempo, o que poderia ter acontecido, até que senti um instinto estranho e olhei rapidamente pra frente.
O homem me olhava fixamente e quando percebeu que eu o vi, ele deu as costas e desarapareceu nas sombras das árvores.
Ainda o encontrarei novamente.
26 outubro 2007
Só enquanto...
Terei forças pra lutar,
Só enquanto eu respirar,
Terei forças para me guiar,
Só enquanto eu respirar,
Sei que ainda estou vivo,
Sei que tenho liberdade para caminhar,
Sem ficar aflito do que vem vindo,
Só enquanto eu respirar,
O mundo pode mudar quanto quiser,
Eu sempre vou ser igual, vou me dar,
Ao mundo que um dia foi meu querer,
Só enquanto eu respirar,
Minha alma vai continuar a se purificar,
Vai continuar a desejar,
Um amor pra vida toda.
Apenas cobre suas dores,
Ele não exclui seus amores,
Mas faz com que seja o único escolhido.
Lhe faz a pessoa mais feliz do mundo,
Mas te deixa mais triste do que da última vez,
Procura te conhecer lá no fundo,
E sempre te quer o bem.
Afoga suas mágoas,
Você vê o mundo de outra maneira,
Você deixa de dizer asneiras,
Só da gargalhadas das boas.
Tudo lhe parece mais bonito,
Até as mais secas flores do quintal,
Em tudo ele está contido,
Para você tudo é jovial,
É inesquecivél para você.
Mas no fim, só te ensina viver,
De que no final só tem dor,
Só faz você sofrer,
Pois, ele, é o Amor.
Diário do Andarilho
Mas não espere ela dar volta por si só.
25 outubro 2007
Diário do Andarilho
Sentei-me novamente diante da mata escura e orei:
"Abençoo e perdoo todos meus amores."
23 outubro 2007
Diário do Andarilho
O mundo parece em silêncio por meu coração estar em silêncio. Sento em direção ao Leste, a espera de que o sol nasça e me venha de meu rosto um largo sorriso. Calmamente deixo minhas coisas em cima de uma pedra, encosto minha espada numa árvore e ponho-me a observá-la. Cabo preto, arranjos dourados e chamativos e a lâmina limpa e prateada com imagens dos Santos e dos Cavaleiros Templários.
Aceito a escuridão como uma fase deste dia, poderia ter chegado ao meu objetivo logo, logo se ainda estivesse cedo. Acredito que foi uma etapa para chegar ao final. Mas que Etapa.
Quase me desesperei quando anoiteceu. Pensei em seguir o caminho de andarilho pela noite mesmo a procura de qualquer claridade que houvesse sem pensar num resultado para isso. Mas como dizem, o diabo está nos detalhes. Fiquei imaginando alternativas rápidas. Talvez seja necessário avançar na floresta escura, mas não dessa maneira. O chá estava pronto.
Me coloquei diante do Leste novamente com o chá aos meus pés. Aprontei meu cobertor, já na espectativa se eu tiver que dormir ali. Não sairei sem uma decisão concreta. Se perder nesta etapa do processo, seria um erro de principiante. E eu não sou principiante.
Abri meu livro. Lerei algo que possa fazer passar o meu tempo.
Transições Temporais
São senhores do passado,
Aqueles que olham o futuro destemido,
São senhores aloprados
Os que observam o presente,
São senhores de atualmente,
Mas nada disso faz sentido,
Se você não ter,
Nenhum desses três senhores,
Dentro de seu ser.
Meus três senhores,
Juntem-se, mesmo com as dores,
Conversem, mesmo sendo sofredores,
Vão a luta, mesmo com angústia,
Façam o Amor vim, mesmo com medo de se abrir
Pois o passado, o futuro e o presente,
Só fazem sentido quando a sua mente,
Conclui que o tempo e o Amor é uma coisa só.
22 outubro 2007
Paisagem
Ela se dissipou na minha mente, deixando de ser uma imagem,
Foi esquecida pra sempre, por toda eternidade,
Porque era apenas uma paisagem,
Seu mundo desordenado, querendo mostrar força onde há fraqueza,
Magoa muitos e traz pobreza,
No seu olhar, no seu ato de agir, fazendo-a vulgar,
Mas seu mundo oriundo, será um dia destruído,
E não terá com quem dessa maneira contar,
Pois terá passado a vida toda querendo se mostrar firme,
Sem chorar, nem se humilhar,
Mas no fim, nada disso vai importar, e tudo irá se acabar,
Fazendo dessa pessoa para os outros, apenas:
Uma paisagem.
21 outubro 2007
- Mas o presente aparecia?
- Sim.
- Então ele passou lá e você não o viu.
O menino não conseguia acreditar no que deixara passar. Ficou muito triste, pois não tinha conseguido o que tentou por tanto tempo. Ele queria gritar e ver Papai Noel, o homem que lhe dava os melhores presentes.
Ele não encontrava resposta. E simplesmente achou que devia ser assim, porque deveria ser. Começou a acreditar no Destino.
Mas esse menino, era influenciado pelos seus amigos falando sobre seus presentes e alguns que já diziam ter visto Papai Noel quando eram pequenos. E isso fez com que o menino tentasse novamente.
No outro Natal, o menino, determinado e esperançoso, passou mais uma noite inteira e não o encontrou. Ao amanhacer, encontrou lá, o presente. Mas chorou, pois não viu Papai Noel. Chorou por Deus ser injusto com ele e não ter lhe concedido isso, depois de ter sido bom e pedido todas as noites e em suas velinhas apagadas de aniversário, para que Papai Noel surgisse na sua frente. Chorou porque passou 4 anos seguidos inteiros pensando nisso e perdeu seus Natais com noites com olhos vidrados em todos os locais da casa para encontra-lo.
E encontrou? Não.